O Clube de Regatas do Flamengo sagrou-se campeão do Campeonato Carioca de 2026 neste domingo (8), após uma emocionante decisão nos pênaltis contra o Fluminense, no Maracanã. A vitória por 5 a 4 nas cobranças, após um empate sem gols no tempo regulamentar, marcou o 40º título estadual do Rubro-Negro, consolidando sua hegemonia e coroando a estreia do técnico português Leonardo Jardim à frente da equipe.
O clássico, disputado sob alta tensão, refletiu a importância do confronto com poucas chances claras para ambos os lados. O primeiro tempo foi marcado por cautela tática, com Flamengo e Fluminense registrando apenas quatro finalizações cada. O Rubro-Negro, no entanto, levou mais perigo com Pedro, que obrigou o goleiro Fábio a intervir, e Léo Pereira, que quase marcou de cabeça. Já na segunda etapa, a partida ganhou em intensidade e irritação, com paralisações por discussões entre os atletas.
Detalhes da Grande Final no Maracanã
Apesar do jogo truncado, o Flamengo buscou mais o ataque na segunda metade, com Arrascaeta e Léo Pereira assustando a meta tricolor. Sem que o placar fosse alterado, a decisão seguiu para a disputa de pênaltis. A preparação do goleiro Rossi foi um dos pontos de destaque: o arqueiro rubro-negro estudou o histórico dos batedores adversários por meio de vídeos e anotações, uma estratégia que se mostraria crucial.
Nas cobranças, a precisão do Flamengo foi decisiva. Enquanto Luiz Araújo desperdiçou uma das cobranças rubro-negras, Rossi brilhou ao defender as batidas de Guga e Otávio, garantindo a vitória por 5 a 4 para o Mais Querido. A atuação de Guga, que parou nas mãos de Rossi, virou tema de brincadeiras entre os torcedores do Flamengo, que resgataram um vídeo antigo do lateral comemorando um título rubro-negro, num sinal do carinho da torcida.
A ficha técnica da partida revela um equilíbrio nas estatísticas gerais: o Flamengo teve 55% de posse de bola contra 45% do Fluminense. O Rubro-Negro finalizou 9 vezes, com 2 finalizações no gol, enquanto o Tricolor teve 11 finalizações e 1 finalização no gol. O jogo registrou um público de 69.315 presentes, com uma renda de R$ 5.270.903,50 no Maracanã. A arbitragem foi de Bruno Arleu de Araújo, com cartões amarelos para Renê, Serna, Acosta e Canobbio (Fluminense); Samuel Lino e Jorginho (Flamengo).
A escalação do Flamengo para a final foi Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Erick Pulgar, Jorginho e Arrascaeta (substituído por Luiz Araújo); Carrascal (substituído por Paquetá), Samuel Lino (substituído por Cebolinha) e Pedro (substituído por Plata). O Fluminense entrou em campo com Fábio; Samuel Xavier (substituído por Guga), Jemmes, Freytes e Renê (substituído por Guilherme Arana); Martinelli, Hércules (substituído por Otávio) e Lucho Acosta (substituído por Ganso); Canobbio, Serna (substituído por Savarino) e John Kennedy. Ambos os times realizaram alterações táticas ao longo da partida em busca do gol da vitória.
A Era Leonardo Jardim Começa com Título e Primeiras Impressões Táticas
A conquista do Campeonato Carioca representou um início promissor para a “Era Leonardo Jardim”. Apesar de ter tido apenas quatro treinamentos com a equipe, o técnico português já demonstrou suas primeiras ideias táticas. O volante Jorginho ressaltou que, embora o trabalho de Filipe Luís ainda tivesse grande peso, Jardim já inseriu “muitas ideias novas” no time. O jogador expressou a expectativa de um rápido processo de adaptação e melhoria sob o novo comando.
O atacante Pedro, peça fundamental no esquema rubro-negro, detalhou uma das estratégias implementadas pelo novo comandante. Ele explicou que Jardim trabalhou uma saída de bola específica, com dois pontas espetados para atrair os laterais adversários, e os zagueiros avançando. Pedro, por sua vez, descia mais para receber a bola no pivô, facilitando a transição ofensiva. O camisa 9 avaliou que o treinador “leu bem” o jogo e que essa tática foi trabalhada para a decisão, demonstrando a capacidade de Jardim em ajustar a equipe em pouco tempo.
A rápida assimilação das ideias de Jardim gerou otimismo no elenco. Pedro manifestou confiança no grupo, que historicamente demonstra resiliência e capacidade de dar a volta por cima em momentos de mudança de comando. Ele projeta que a chegada de Leonardo Jardim pode iniciar uma nova “Era de conquistas” para o Flamengo, reforçando a motivação e a esperança do time para o restante da temporada.
O Legado de Filipe Luís e as Homenagens da Nação
Mesmo com a estreia vitoriosa de Leonardo Jardim, a torcida do Flamengo e os próprios jogadores não esqueceram a contribuição de Filipe Luís, o técnico recém-demitido. No Maracanã, os rubro-negros entoaram o nome do ex-comandante como homenagem, um gesto que recebeu aplausos de alguns atletas e foi testemunhado pela diretoria, incluindo o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) e o diretor José Boto.
Diversos jogadores fizeram questão de prestar tributo a Filipe Luís. Léo Pereira revelou ter tido uma “conversa íntima” com o ex-técnico, agradecendo por sua trajetória e destacando que “todo mundo foi muito grato por tudo que ele fez por nós”. O zagueiro reconheceu que, embora os ciclos se encerrem, o nome de Filipe Luís está marcado na história do clube. Lucas Paquetá, por sua vez, emocionou-se ao falar do ex-companheiro e técnico, a quem chamou de “amigo” e “o maior responsável” por seu retorno ao Flamengo, desejando-lhe “toda a sorte”.
O goleiro Rossi, herói na disputa de pênaltis, também fez questão de dividir o mérito da conquista. Ele afirmou que o título é fruto do trabalho do antigo e do novo técnico, enfatizando que “ninguém pode esquecer o que o antigo comandante fez pelo grupo” e que “esse título também pertence a ele”. A demissão de Filipe Luís, ocorrida após duas vezes vice-campeão e queda de desempenho, gerou críticas por parte da torcida, que, no entanto, manteve o carinho pelo ídolo.
O presidente Bap se manifestou publicamente pela primeira vez sobre a saída de Filipe Luís após a conquista do Carioca. Ele considerou “justo que ele ganhe uma medalha”, reconhecendo sua “contribuição importantíssima para o Flamengo”. Bap afirmou que o nome de Filipe Luís “está na galeria dos grandes campeões rubro-negros, como jogador e como técnico”, e que seu legado “nunca será apagado”. A justificativa para a medalha reside no fato de que Filipe Luís esteve à frente da equipe em seis dos dez jogos da campanha vitoriosa no Campeonato Carioca.
Recorde Histórico, Recompensa Financeira e os Próximos Desafios
A conquista do 40º título do Campeonato Carioca reforça a posição do Flamengo como o maior campeão estadual, abrindo sete títulos de vantagem sobre o Fluminense, o segundo colocado. O Rubro-Negro celebra o tricampeonato consecutivo e já alimenta o sonho do tetra em 2027. Além da glória esportiva, o título trouxe uma recompensa financeira significativa de R$ 10 milhões, diferentemente de 2025, quando o estadual não teve premiação em dinheiro.
Com o primeiro troféu da temporada garantido, o Flamengo agora volta suas atenções para os próximos desafios. O calendário rubro-negro está recheado de compromissos importantes. O time de Leonardo Jardim enfrentará o Cruzeiro na quarta-feira (11), às 21h30, no Maracanã, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. A partida será transmitida pela TV Globo e pelo Premiere.
Na sequência, o Flamengo terá outro clássico carioca pelo Brasileirão, desta vez como visitante. No sábado (14), o Rubro-Negro encara o Botafogo no Estádio Nilton Santos, às 20h30, com transmissão pelo Premiere e SporTV. Fechando uma série de compromissos intensos, o time retorna ao Maracanã na quinta-feira, 19 de março, às 20h, para receber o Remo. Este confronto terá transmissão pelo SporTV, Premiere e Prime Video, marcando o início de uma maratona de jogos que exigirá o máximo do elenco campeão carioca.
Em meio às celebrações e à projeção dos próximos jogos, a situação do diretor de futebol José Boto foi tema de questionamentos. O presidente Bap, ao ser indagado sobre a possível saída do português, manteve a cautela, focando na conquista do tricampeonato. Boto tem enfrentado desgaste interno, com ruídos em processos como a renovação de Arrascaeta e a condução da demissão de Filipe Luís. O clube, no entanto, adota uma postura de só definir uma substituição após alinhar um novo modelo de gestão para o departamento de futebol.
O zagueiro Léo Pereira, um dos destaques na final, fez uma autocrítica sobre seu desempenho, reconhecendo que precisa melhorar e ter “mentalidade forte para jogar no Flamengo”. Ele reafirmou seu compromisso de trabalhar para dar o seu melhor e honrar os companheiros. A fala de Léo Pereira demonstra a busca por evolução contínua dentro do elenco, mesmo após uma grande conquista.
Lucas Paquetá, que celebrou seu primeiro título desde o retorno ao Rubro-Negro, expressou a realização de um “sonho” em viver momentos como o da conquista do Carioca. Ele havia se empenhado para participar das finais e, após dois vice-campeonatos, celebrou a vitória com a camisa rubro-negra. Paquetá concluiu sua fala ressaltando a importância da felicidade do novo treinador para o grupo e a necessidade de seguir trabalhando.